Minha foto
São Paulo, SP, Brazil
"Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Sou um coração batendo no mundo." (Clarice Lispector)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Fé...
É a única coisa que posso ter agora.

Eu coloco agora à prova as influências dos outro mundo e dos Deuses.
Estou correndo com todas as minhas forças em direção ao precipicio, irei voar ou cair, dependerá agora deles não de mim...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


Eu recebi um email com este texto. E achei um máximo.
A frase do Roberto Shinyashiki era exatamente o que eu precisa ler neste momento.
... Eu só preciso viver de tudo isso para ter uma vida feliz...

TEM COISA MELHOR?
Se apaixonar pela pessoa certa e ser correspondido.
Rir a ponto de não agüentar mais.
Um banho quente num dia de muito frio.
Sem limites em um supermercado.
Aquela encarada de fazer tremer.
Receber e-mail de alguém que você gosta e que não manda nunca.
Dirigir por um lindo caminho.
Escutar sua música favorita tocar no rádio.
Deitar na cama e escutar a chuva cair.
Cheiro de terra molhada.
Pegar aquela chuva de verão e dar um beijo na chuva.
Tomar aquele banho e dormir na sua própria cama depois de acampar durante 4 dias.
Toalhas ainda quentes, recém passadas.
Descobrir que a blusa que você quer está em promoção pela metade do preço.
Um milk-shake de chocolate.
Uma ligação de alguém que está distante.
Um banho de espuma.
Uma boa conversa.
Achar uma nota de R$ 50 no casaco do inverno passado.
Rir de você mesmo(a).
Ligações depois da meia-noite que duram horas.
Rir sem motivo nenhum.
Ter alguém pra dizer o quanto você e linda(o).
Rir de algo que acabou de lembrar.
Amigos.
Acidentalmente ouvir alguém falando bem de você.
Acordar e descobrir que ainda pode dormir por mais algumas horas.
Gastar tempo com os velhos amigos ou fazer novos.
Brincar com o novo bichinho de estimação.
Ter alguém mexendo no seu cabelo.
Sonhar com coisas boas.
Realizar um sonho antigo.
Chocolate quente.
Viajar com os amigos.
Empacotar presentes debaixo da árvore de Natal enquanto come biscoito de Chocolate.
Letras de música no encarte do seu novo CD pra poder cantar junto sem se sentir idiota.
Ir a um ótimo show.
Encarar um(a) lindo(a) desconhecido (a)
Ganhar um jogo super disputado.
Fazer bolo de chocolate e raspar a panela da calda.
Ganhar dos amigos biscoitos feitos em casa.
Segurar na mão de alguém que você realmente gosta.
Encontrar um velho amigo e perceber que algumas coisas (boas ou ruins) nunca mudam.
Ver a expressão no rosto de alguém quando abre o seu tão esperado presente.
Olhar o nascer do sol.
Conseguir enxergar essas pequenas coisas boas da vida e saber dar muito valor a isso.
Ter sorte.
Acordar toda manhã e agradecer a Deus por mais um lindo dia.
Muitas pessoas pensam que a felicidade somente será possível depois de alcançar algo, mas a verdade é que deixar para ser feliz amanhã é uma forma de ser infeliz." (Roberto Shinyashiki)

domingo, 21 de novembro de 2010

A senha

Hoje meu pai me perguntou, qual é a senha para a paz de espírito?
Ele... que não consegue se desligar, das contas para pagar, das coisas para comprar, da falta de saúde, de tempo, de dinheiro. Ele, que acha que a vida é dura e cruel, e que não permite descanço. E eu o vi desesperado por paz...
Eu disse que a estabilidade material não irai trazer paz a ele, porque ele iria encontrar um outro problema para substituir, que ele tinha que encontrar algo que lhe desse paz hoje, pelo menos um pouco para que ele possa resgatar energias para continuar lutadando no dia seguinte...
Ele me perguntou denovo. Mas qual é a senha? como eu desligo?como eu faço isso??
Por fim eu não soube responder... porque eu também não sei ao certo qual é a senha.
Eu tenho as minhas valvulas de espape, mas qual seria as dele? e eu acho que somente ele poderia responder para si mesmo.
Mas estas valvulas também não trazem paz, são apenas oásis como para um viajante no desesto.
Hoje eu estou meio out da minha vida... não sei bem o que eu devo fazer, só sei que as coisas não estão boas, na verdade pioram a cada dia. Eu continuo lutando com a esperança que esta tempestade esteja passando.
As vezes eu acho que a paz só vem mesmo após a morte.
Eu sei que os problemas passam e as coisas melhoram... mas por quanto tempo? depois volta tudo denovo, muitas vezes mais difícil. Meu pai tem razão, a vida é realmente cruel.

domingo, 14 de novembro de 2010

Desafio - Jogo dos 7

Aceitando o desafio de um Manauara maravilhoso, que é Espectador Espectro Instrospecto (adoro este título) , dono de um blog que eu recomendo muito http://ramononde.blogspot.com/.

Irei responder estas questões, lembrando de quando eu estava na quarta série e respondia aquele livro de perguntas enorme, que passava de mão em mão. E por ele podíamos saber um pouco mais de algum colega.


...Bem, e ai vamos nós ;)


7 coisas que eu tenho que fazer antes de morrer
- Engravidar e ter um filho(a)
- Contar histórias para ele, e vê-lo crescer...
- Tocar para um pequeno público
- Escrever um livro ou um zine.
- Montar o negócio dos meus sonhos
- Ir em um lual e ver o nascer do sol ( de preferência com alguém especial)
- Fazer uma grande viagem, tipo mochilão.

7 coisas que eu mais digo
- Véio!!
- Não sei...
- Alguns palavrões
- Eu quero...
- Sério?? que legal ou .. hum Bacana...
- Eu tenho uma teoria...
- Engraçado.. isso me lembra aquela música /ou frase....



7 coisas que eu faço bem
- Conversar sobre cultura inútil;
- Discutir sobre assuntos polêmicos e alheios a todo mundo;
- Perceber as emoções e pensamentos das pessoas, principalmente dos meus amigos;
- Sou uma boa companheira de copo, de viagem e programas culturais, festinhas, etc ...
- Aprendo com facilidade
- Faço um misturado com granola, iorgute, e frutas que é uma delícia ;)
- Sou uma boa ouvinte

7 defeitos meus
- Impaciente
- Anciosa
- Emotiva
- Mudo de humor com facilidade
- Em algum momento eu vou sumir e desapontar alguém
- Tenho uma séria dificuldade de demostrar interesse e afeto
- Insegurança

ps: como o primeiro foi difícil e o útimo fácil... rs
Indico:
Traum > http://escadashorizontais.blogspot.com/
Dea Iana > http://inmaginary.blogspot.com/
Encantada > http://panikmanifesto.blogspot.com/
Sissi > http://panikmanifesto.blogspot.com/
Gabi Ela > http://gabiiasipilch.blogspot.com/
Perseu > http://bomdiatropicalia.wordpress.com/
Menina Maléfica > http://meninamaleficaa.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de novembro de 2010


E ela se arrumou toda e foi determinada até a porta dele
Organizando os pensamentos e sentimentos, para tentar terminar ou começar uma nova história.
Este ato irá significar um grande passo, uma grande mudança, este será um momento importante por mais que a resposta seja negativa.

E ela para em frente à porta e não consegue se mover.
...E espera... deixa passar alguns eternos segundo... e espera....
Não espera que ele apareça ou que a porta se abra.
Ela espera por sua própria coragem
Pelo impulso, que agora parece ser um esforço sobre humano de bater na porta.
O medo toma conta de suas pernas, braços e a domina completamente.

E ela fica ali, parada em frente à porta.
Tudo isso porque ela sabe que qualquer um dos resultados será demais para ela e ambos dão medo.
...Sentimentos amenos são mais seguros...
Por fim, ela se vira e volta para casa frustrada. Sonhando em como seria se tivesse batido

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


Percebo que não sou eu que escolho as páginas que leio, são elas que me escolhem.
E quando eu tento insistir em determinadas leituras elas se embaralham e não fazem muito sentido. Depois de terminar a trilogia do Eragon que terminei com muita frustração, porque a história não acabou, voltei aos meus clássicos. Iniciei Orgulho e preconceito, eu me apaixonei pelo filme e julguei eu que iria me apaixonar também pelo livro. Pois não rolou esta química... não sei o porquê. Depois de alguns dias de intervalo e de cabeça cheia demais para conseguir me concentrar, tive um pequeno momento de paz e peguei um livrinho que eu já tinha lido a muito tempo, mas acho que ele me escolheu hoje denovo.. nele há a história de dois sonhadores.
No balanço da minha vida, acho que se o que minha especialidade é sonhar.E diria também que apesar de ver muitas pessoas o tempo todo, na verdade sou só, e descrição da minha história é a descrição dos meus sonhos....
Este livro é Noites Brancas de Fiódor Dostoievski, leitura obrigatória para os sonhadores solitários...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Transbordando...
A cada minuto uma gota cai a mais no copo já cheio.
E uma sensação de dejavu constante, parece que meu rosto refletido no copo d'agua ri de mim, me dizendo o que vai acontecer nos próximos minutos. Enquanto eu fico olhando e desesperadamente gotejando.
Transbordando...
Minha vida está sendo decidida por pessoas que eu não conheço... e eu não posso fazer mais nada ... só esperar... a única coisa que posso fazer agora é transbordar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Tempestade


"Que a força do medo que tenho,
não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo que eu acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
E a outra metade é o silêncio"...


Já postei aqui este poema do Osvaldo Montenegro completo aqui no blog, mas ele é um dos textos que carrego na minha bagagem, que é sempre lembrada quando me falta palavras...
Confesso que meu silêncio é doloroso, e que meu grito é minha luta.

E minha luta é andar com uma roupa desconfortavel no sol, com os pés, tornozelos e joelhos doendo por causa do maltido salto, é calar o choro durante a corrida, é se perder e continuar correndo pelo tempo perdido, é respirar fundo se mostrar forte, não parar.... Este grito é trabalhar sem ferramenta nenhuma, ter responsabilidade por ações de terceiros, é adiar, é tentar sorrir, é fingir interesse em coisas completamente desenteressantes, é ouvir que os outros estão bem enquanto eu estou um caco, e ainda ter que sorrir...
Na metade silêncio, fica o desespero, a inveja, a insegurança e o medo.
É dormir quando tudo está escuro, mesmo que seja dia. É encontrar nos sonhos suprimentos de sentimentos que me faltam. É se sentir perdida e buscar energias na força motora das horas. Neste silêncio mora o medo, porque eu não sei o que irá acontecer, não sei se vou conseguir, eu só vejo explosões, coisas desmoronando e chuva, muita chuva, das mais cruéis que tive até hoje...

Eu não parei e não vou parar... mesmo porque eu não tenho esta opção... mas a cada minhas alternativas estão acabando. Eu queria sumir e voltar quando tudo já estivesse resolvido, eu queria um abraço protetor para que eu possa sentir um pouco menos de frio. Mas estou sozinha, e tenho que continuar lutando sozinha, o pior de tudo é que quando eu conseguir, eu não serei a única beneficiada.... eu acho isso um tanto injusto.
Porque quando eu estiver bem, plena e completa, terei que atender a fila de pessoas que esperam algo de mim, que me combram resultados todos os dias, conselhos, atenção, sentimentos, dinheiro,etc... tudo aquilo que eu estou agora me matando para conseguir!!! mas todo mundo quer pronto! eu não recebo nada pronto... tudo isso me deixa irada!!!

... " Que esta minha vontade de ir embora
Não se transforme na calma e paz que eu mereço
Que esta tensão que me corroi por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso, a outra metade é um vulcão..."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pensamentos de quando há tempestade aqui dentro e sol lá fora...


**Estou com uma sensação constante de Dejavú. Mas será que meu senso premunitivo anda aguçado, ou é um reconhecimento de cenas repetidas dos meus dias iguais??

**Será que a maior parte das pessoas falam coisas fúteis e inúteis o tempo todo, ou eu só me dou conta disso quando estou de mal humor??

** Me atraiu e quero estar perto de pessoas semelhantes, mas elas sempre me escapam... Assim como os ímãs de pólos iguais...

by TLT

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Notas de uma observadora:


Nestes últimos tempos, eu tenho divulgado algumas fotos minhas nas redes sociais por aí. Isso não acontece sempre, eu sou um tanto impaciente e depois de algumas semanas, eu deleto tudo e substituo as minhas fotos por alguma imagem das minhas heroinas. Que no geral considero mais apropriado.
Enfim.. observei que as fotos que mais me elogiaram são as fotos que eu estou triste. Meus olhos estão meio brilhantes, devido as lágrimas contidas, e meu sorriso é aquele sorriso dolorido e cênico... As pessoas acham bonito... Eu me sinto mascarada, depois do flash eu mal me reconheço.
A melhor máscara que se pode colocar em si mesmo é o sorriso.
Os elogios são sempre bem vindos é claro, mas eu normalmente lido com eles com um certo sarcasmo, uma das minhas piadinhas íntimas...
E quando alguém se sente atraído por este sorriso, eu sempre fico insegura.
Isto tem acontecido com freqüência...
O problema de ser muitas, é que eu nunca sei qual é a mais apropriada.

...Por hora, vou girar como em um brinquedo gira- gira, irei olhar para cima, fechar os olhos, sentir o vento e mundo girando.
E aquele medo de quando o brinquedo gira muito rápido, e parece que vamos perder o controle, dá a impressão que o brinquedo vai quebrar, que você vai cair e dá vontade de gritar. Tudo isso somado com a sensação boa de tontura, do vento nos cabelos, da sensação de que está voando.
É exatamente este tipo se sentimento que eu sinto agora.
Por isso, estou mantendo minha mente ocupada, pois serve como freio.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A cada mil lágrimas sai um milagre


Li estes poemas publicados em um blog que eu gosto e recomendo muito : http://deliriosesuspiros.blogspot.com/ .

Acho que eu os li umas 10 vezes cada um, como vai de encontro ao meu"giro atual", quero então compartilhar e deixar fácil para eu ler muitas vezes mais, portanto aqui registro:

"Quando penso que um palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo

Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce"
Alice Ruiz


“Em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema
dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelose amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre”
Itamar Assumpção E Alice Ruiz

Passo a maior parte do tempo livre vidrada em algumas páginas, para não abrir brechas para os sonhos e devaneios.
Manter a mente ocupada é a principal estratégia, porque sonhar também é viciante.
TLT

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marina Colasanti - parte 2


Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer filas para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra. A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. A abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e a ver comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. A contaminação da água do mar. A lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti - parte 1



Vou postar alguns poemas de uma escritora que estou descobrindo e me apaixonando.

Marina Colasanti

Sexta-feira à noite

Os homens acariciam o clitóris das esposas

Com dedos molhados de saliva.

O mesmo gesto com que todos os dias

Contam dinheiro, papéis, documentos

E folheiam nas revistas A vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite

Os homens penetram suas esposas

Com tédio e pénis.

O mesmo tédio com que todos os dias

Enfiam o carro na garagem

O dedo no nariz

E metem a mão no bolso

Para coçar o saco.

Sexta-feira à noite

Os homens ressonam de borco

Enquanto as mulheres no escuro

Encaram seu destino

E sonham com o príncipe encantado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

S.O.S

Alguém tenha em arrancar um sorriso...
O máximo que consigo fazer é uma espécie de rosnado dolorido.
Meus músculos estão tão tensos que a única coisa que eu consigo, é falar baixo, devagar e principalmente somente o necessário.
As horas demoram para passar... eu não queria estar aqui...
Eu queria estar em outro lugar, fazendo outras coisas, aprendendo outras coisas.
Parece que quero desesperadamente não ser eu !

Talvez o fato de simplesmente não estar aqui já fosse o suficiente.
A dor iria parar, mas ainda não é o bastente...
O que eu mais queria agora, é que aquela moça de olhos azuis me ligasse e mudasse minha vida...
Mas o telefone não toca, a porta não se abre, nada muda.
Eu rezo desesperamente pela mudança! para que alguém em ajude, não só me tire daqui! Mas me liberte!
Meu grito é choroso, desesperado, e tão alto que minha pele treme!
Me liberte por favor...
Por favor....
Ao menos me tire daqui!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Raiva tamanha que vem de dentro e para na boca!
E Cala!
E Cresce!
Consome!
Como a morte de uma estrela.

TLT

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cenas de uma noite qualquer


Cena 1
Estou no ônibus voltando pra casa.
Me pego tendo pensamentos obscenos e olho ao meu redor, parece que algumas pessoas me olham. Me sinto envergonhada e tento mudar o rumo dos meus pensamentos, “Nem aqui me sinto liberta”
Tem um moço bonito que me olha, ficamos neste pequeno e improdutivo flerte até eu descer.
Eu gostaria de ouvir os pensamentos dele... ou não, talvez sejam mais obscenos do que os meus.

Cena 2
Chego em casa , minha cachorrinha quebra a sensação de abandono. As coisas nunca mais foram as mesmas depois que eu mandei “ele” embora. Tento me convencer que estou melhor agora, já que estou liberta.... “Mas liberta do que mesmo???”
Mal posso sentar no meu sofá, está tão velho que quando me deito nele parece que levei uma surra. Penso “preciso trocar este sofá, ou talvez devesse somente jogá-lo fora, sobrará mais espaço neste apartamento minúsculo, colocaria um bom tapete e almofadas , e pronto, ficaria lindo!! “ .... talvez...
Mais planos.... como pintar um quadro, reformar o banheiro, fazer regime, ganhar dinheiro, transar pelo menos 3 vezes por semana.... Alguns planos parecem ser totalmente inviáveis.

Cena 3
Depois de um banho quente e demorado me visto e deito nua na cama. Ouço o meu vizinho rico chegar.. “ Ele iria ficar doido se me visse assim” . Desde que me mudei para cá ele me flerta o tempo todo. Sinceramente não sei, o que um cara 20 anos mais velho do que eu, vê em uma garota como eu... sim apesar de ter 25 anos ainda me considero uma garota, “Sou uma merda de uma retardatária mental”. Mas enfim... na verdade eu sei o que ele quer, e oferece jantares, viagens e presentes caros para me conquistar. “Ele acha que sou uma prostituta não é possível”. Se eu sou fosse pelo menos iria querer receber em dinheiro, pelo menos iria gastar com algo que não me lembrasse ele”.

Cena 4
Me visto e vou para a cozinha comer alguma coisa, como algo que eu não deveria, me sinto mal por ingerir tantas calorias e pensar que elas estão inchando meu quadril. Mas continuo, “Amanhã eu começo o meu regime”... Mais planos...
A Internet e a televisão disputam quem é mais fútil e inútil. “Há controvérsias eu sei”, mas sou do tempo que para se obter uma informação útil e interessante eu devo recorrer a um papel não a uma tela... “E eu ainda me acho uma garota” ... rs...bizarro.
Neste apartamento minúsculo no centro, não consigo me abster dos barulhos, mas até que gosto deles. Quando pego meu violão e desafino algumas notas parece que esta cidade me ouve e conversa comigo, "essa ilusão é que me mantém aparentemente sã".

Cena 5
Antes de dormir, leio um pouco, fumo um cigarro e tomo um café, tento prolongar um pouco mais esta noite. Que não tem nada de especial ou diferente das outras, mas dizem que cada dia é um dia único ,“Há controvérsias”. Penso em fazer diferente na próxima vez... mais planos... "Mas para quem gosta de vida simples, é tão fácil viver dias únicos de noites iguais".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Algumas vezes me sinto vigiada por olhos agourentos.
Olhos aguçados que me sabotam.
Sabe aquela superstição do "olho gordo" ?Então, essa é a ideia.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Penso que sou um quebra-cabeça.
Onde as experiências e as pessoas que fazem parte da minha vida são as peças.
O desenho do quebra-cabeça é único, foi desenhado no útero da minha mãe.
As cores, traços e quantidade de peças alteram-se o tempo todo, a última peça será encaixada somente no dia de minha morte.

Algumas peças fazem parte da estrutura do desenho, sem elas a figura fica disforme. É como ver um rosto sem olhos, boca ou nariz. Estas eu chamo de família.

Outras peças complementam o formato e colorem algumas partes. Estas eu chamo de amigos.
A ausência de algumas destas peças, provocam um buraco que nem sempre pode ser substituído, é um buraco dolorido, essa dor eu chamo de saudade.

Outras tem o poder de trazer novas peças, novas cores e completam um cenário. Estas são surpresas da vida, e proporcionam algo que eu chamo felicidade. Tem diversos formatos, e se encaixam varias partes, um destas partes alguns chamam de coração.

Os traços e expansão do quebra-cabeça são formados por peças que chamo de conhecimento e trabalho. A fluidez dos encaixes eu prefiro nomear como sentimentos e emoções.

O que se deve saber sobre todas as peças, é que cada uma tem seu encaixe e quase todas são mutantes, em alguns momentos se encaixam perto ou longe. Temos que respeitá-las, pois este é o elo que temos com um outro quebra-cabeça que tem um outro desenho, traços e cores.
Todos os quebras-cabeça, tem pelo menos uma peça em comum, esta ligação alguns chamam de sociedade, eu prefiro ter uma visão um pouco mais abrangente, e chamar o coletivo de todos os quebras-cabeça de Gaia.


TLT

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Castelo de cartas - parte 2


Quanto a ultima carta caiu, toda minha insatisfação com o meu emprego, com a minha vida social, amorosa e existencial veio a tona. Minha tolerância diminuiu a um nível alarmante. Passei a falar menos, a sair menos e a observar e ler mais.

Nestas observações, pude classificar melhor minhas amizades, as dividi em dois, dos que estão "dentro" e os que estão "fora".
Um grande amigo quando viu no estado “fechada para visitação”, simplesmente me disse “você está fechada para visitação, mas se esquecerá dos que estão ai dentro? ” ... respondi.. “jamais”
Isso resumo tudo! os pouquíssimos que estão aqui dentro me veem e sabem que coisas simples ajudam muito, sabem ver a tempestade, se proteger e deixá-la passar ao seu tempo.

Os que estão fora, enxergam nuvens escuras, mas não querem entendê-la, querem somente saber o que se passa com o mesmo interesse e preocupação que dão as notícias do jornal. E continuam exigindo atenção às suas ações e pensamentos fúteis, egoístas e narcisistas. Ou só se aproximam quando há algo a absorver, são como vampiros, seu único interesse e ter, não compartilhar.

Eu não tenho mais paciência para isso. Mas todos eles se somam ao som das risadas e das músicas, preenchem os espaços vazios...Também tem o seu papel... mas agora não tenho nada a dar... serei uma grande decepção a eles!

Continuarei fechada para visitação, estou focada em conseguir um novo emprego (a cada dia fica mais difícil continuar no que estou – eu odeio o ócio) emprego também tem o seu ciclo de vida, o meu já acabou há muito tempo... Preciso desesperadmente aprender e trabalhar de verdade!!

Continuarei lendo...é o que me mantém em paz... tenho ainda 2 livros para iniciar a minha nova lista, comprei os livros que eu tanto queria (Orgulho e Preconceito, Misto Quente, Noites Brancas e a Bela Adormecida) quero escrever sobre eles futuramente... e preciso amadurecer minhas leituras..

Hoje tenho certeza! se todos tem uma tampa para a sua panela , eu sou uma frigideira!!!
Me empenhei tanto, para me afastar e manter uma “distância de segurança”(afinal eu só me fodo... ou não ¬¬), que não sei mais me aproximar de alguém.. acho que perdi o jeito.
Não luto, não espero e não procuro... já não faz tanta diferença... é triste, eu sei ... mas estou cansada.

Apesar dos contratempos não quero me distanciar dos meus projetos, eles se modificam e sempre há surpresas. Muitas vezes tenho vontade de jogar tudo para o alto.. mas ontem me deu uma vontade de arte... Esta chama ainda não se apagou...

É impossível caminhar sozinha,
Eu ainda não me conformo com tantas dependências...

Castelo de cartas - parte 1


O último suspiro dela fez com que o meu castelo de cartas caísse...

Senta que lá vem a história:
Eu tinha uma cachorrinha vira lata que se chamava Suzy, e morreu beirando seus 17 anos. Ela era uma cachorra muito alegre.
Eu costumava ler ao sol e ela ficava ao meu lado, ou no meu colo, ela não cresceu muito , mas sempre foi um bebe que brincava, pulava e corria.

Até envelhecer...
E então seus olhos não enxergavam mais, ela não ouvia direito e seus pêlos estavam ficando brancos ( ela era bem pretinha como uma boa vira lata, mas tinhas pelos longos e macios). O mais triste é que ela já não conseguia andar direito, nem pular pois suas pernas ficaram fracas. Dava um aperto no coração quando ela tentava brincar, correr e pular mesmo nestas condições. Seu corpo não podia mais, mas ela continuou a ser uma cachorra alegre.

E uma dessas noites frias ela teve uma espécie de AVC, vomitou muito sangue e não conseguiu se mexer mais, se via apenas uma respiração sofrida e profunda. Meu pai hiper protetor viu a situação dela e já decretou morte, me avisou como se não tivesse mais jeito e nem valeria a pena vê-la. Até então eu não a tinha visto e pensei era melhor mesmo não vê-la.

Mas não consegui e a vi, e não sosseguei enquanto não corresse com ela para o veterinário.
Ao chegar lá ela foi examinada, era forte e não iria morrer tão em poucas horas, mas estava sofrendo muito, então a eutanásia era a única opção.
Fiquei com ela, acariciando seus pelos até seu ultimo suspiro, até seu corpo enrijecer e seus olhos ficarem vidrados, seu corpo ainda estava quente quando eu a deixei...

Chorei muito... faz meses, acho que uns dois anos que eu não chorava daquela maneira. Mas por fim fiquei em paz, pois senti que ela estava em paz.


Este tipo de coisa não é uma algo bom para ser compartilhado... ninguém gosta de ouvir ou ler isso.
Mas como este blog é a reunião das minhas palavras contidas tive que escrever.

...E também para filinazar aquele ar de morte que eu estava sentindo... não o sinto mais....

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ms Walker - parte 2


Aqui a senhorita Walker continua dizendo o que penso e sinto.
Ela já diz tudo, não preciso acrescentar nem tirar nada.

obs: Estas palavras ela diz a Desejo

Você já esteve apaixonado? Horrivel não é? Te deixa vulnerável. Te abre o peito e te abre o coração e quer dizer que alguém pode entrar em você e te detonar por dentro.Você constrói todas essas defesas. Constrói uma armadura completa, e por anos nada pode te machucar, aí­ uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida caminha para dentro da sua vida estúpida…Você dá a essa pessoa um pedaço de você. Essa pessoa não pediu por isso. Essa pessoa fez algo besta um dia, como te beijar ou sorrir para você, e aí a sua vida não é mais sua.O amor toma reféns. O amor entra em você. Te come por dentro e te deixa chorando na escuridão, e frases simples como “talvez devêssemos ser apenas amigos” ou “nossa, que perspicaz” se transformam em farpas de vidro movendo-se para dentro do seu coração.Dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, uma dor do tipo que-entra-em-você-e-te-arrebenta. Nada deveria ser capaz de fazer isso. Especialmente o amor. Eu odeio o amor."
(Fala da personagem Rose Walker, de Neil Gaiman, in: Sandman #65)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Ms Walker - parte 1


Uma das minhas teorias é que as histórias de nossas vidas e o nossos pensamentos não são únicos e totalmente particulares. São na verdade compartilhados e tem um elo entre si, cada pessoa vive e pensa em um determinado momento da vida, isso e somente isso é particular, é como se todos tivessem um caleidoscópio particular mas as contas são iguais para todos. Para todos não viverem as mesmas coisas, do mesmo jeito, ao tempo todo, é as contas são dividas. Um grupo de pessoas tem um determinado grupo de contas, e outras pessoas tem outras contas e cada um tem um rítmo de giro diferente.
Parece confuso não?
Mas isso explica muita coisa...

Até uma das coisas é o que vou postar a seguir...
Eu estou lendo o HQ do Sandam e em uma parte há um depoimento de Rose Walker uma das personagens do HQ:


"Diário de Rose Walker"
"Andei fazendo uma lista de coisas que não ensinaram na escola.
Não ensinaram a amar alguem.
Não ensinaram como ser famoso
Não ensinaram a ser rico ou pobre.
Não ensinaram a se afastar de alguém que nao se ama mais.
não ensinaram a saber o que está se passando na cabeça das outras pessoas.
Não ensinaram o que se dizer a alguem que está morrendo.
Não ensinaram nada que valha a pena saber.
As vezes me sinto... merda....se lá oca.
Em geral , quando não sinto que deveria sentir por dentro.

Tenho uma amiga que está morrendo de Aids, O que isso me faz sentir?

Vazia, só isso .. vazia"

Depoimento de Rose Walker - personagem do HQ Sandman (nº61 - Entes Queridos) - Neil Gaimanm.


Percebe? tirando a amiga que tem Aids, quantas pessoas não tiveram este tipo de pensamento?
eu sinceramente tive muitas vezes, muito antes de ler estas palavras ou outras parecidas.
Sabe como eu chamo tudo isso? de Verdade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

foto: Morte e Vida Severina, dirigido pelo Moisés Miastkwosky
Não achei ainda a vesão do grupo que assisti, mas o diretor e figurino é o mesmo

..." E não há melhor resposta que o espetáculo da vida:

vê-la desfiar seu fio ,

que também se chama vida,

ver a fábrica que ela mesma ,

teimosamente, se fabrica,

vê-la brotar como há pouco

em nova vida explodida;

mesmo quando é assim pequena

a explosão, como a ocorrida;

mesmo quando é uma explosão

como a de há pouco, franzina;

mesmo quando é a explosão

de uma vida severina."

Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto


E eu ainda com esta quesão de luz e fim, no domingo eu assisti uma peça de teatro mavarilhosa, Morte e Vida Severina. Compartilho aqui com vocês um pequeno trecho que foi usadono folder de divulgação que também foi lindamente recitado na peça.

domingo, 25 de julho de 2010

Um instante por horas

“Mas quero ter a liberdade de dizer coisas sem nexo como profunda forma de te atingir. Só o errado me atrai, e amo o pecado, a flor do pecado”(Clarice Lispector)
Cinza ...

Estou vestida de cinza hoje, uma cor para mim que representa a "quase felicidade", porque os dias cinzas também são harmônicos.

Mas na verdade eu não quero escrever sobre isso. Quero escrever sobre uma das minhas teorias, e tenho muitas!! tenho teorias para tudo. Compartilho estas com meus amigos, que me deram a idéia até de escrever um livro... rs ... um dia vou dedicar um post para compartilhar algumas.

Bem... mas também não era este o meu objetivo inicial....

Tenho saído bastante nestes ultimos tempos, e parece que a distância entre eu e as pessoas aumenta a cada dia. Aproximan-se os corpos e distanciam-se os corações...

Ando sentidndo uma carência enorme, o que eu mais queria hoje é um beijo e um carinho... incrível para algo tão simples é tão difícil...muito difícil... muito.. muito difícil....
Para suprir esta carência ficando olhando as pessoas e fico imaginando a textura de suas peles, a tonalidade da voz, o brilho dos olhos e sorrisos...
é eu sei.. estou ficando doida!!

Mas alguem já olhou no fundo dos olhos de um ator em uma peça de teatro?

Naquele exato momento em que ele esta imerso no personagem, recitando e ou expressando algum sentimento? Ele te para te encara!
A luz é claro esta muito forte e ele não está vendo você de verdade. Mas eu como expectadora me sinto invadida. Sinto aqueles olhos me fitando, entrando em mim e passando aquele sentimento intenso....
Ah como eu adoro teatro! os ápices das músicas e encarar do ator me desmontam.
A minha teoria?

É reflexão sobre a quantidade de coisas que utilizamos para substituir algo simples.
Como eu citei, o afeto e carinho são coisas aparentemente simples, um beijo e um cafuné resolvem o problema, mas na ausência...
Para preencher é necessário muita coisa! eu por exemplo, me preencho com as coisas que eu adoro como ir ao teatro, ouvir música, sair, beber, estar com os amigos e ler o máximo que eu conseguir! Vê ? não é algo desproporcional? um instante por horas! ... não é justo!


Meus pensamentos e sentimentos continuam desconexos, sem muito sentido ou direção. =/

Hoje ainda pensei na relevância de reciclar a água em casa, pensei em como minha cama é boa, pensei que a Lua é maravilhosa, que eu não consigo ouvir hard rock por muito tempo, pensei que eu tenho que para de procrastinar ( mais importante de todos os pensamentos), etc.

E eu ainda acho que o cinza é uma cor alegre...
Hoje li a resposta da minha própria pergunta:
Ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta; a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.Clarice Lispector

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Entrelinhas...


Faz um certo tempo que não posto nada, mas tenho escrito bastante...
Mas tudo o que eu escrevi não pode ser compartilhado, são devaneios obscuros demais, sobre dor, solidão e morte. Ainda não estou preparada para tirar a ultima máscara.
Mas há um grande abismo nas minhas entrelinhas...

Conversando com um amigo, que eu descrevi como estou agora (eu não tinha esclarecido a mim mesma ainda)

Estou passando por uma fase estranha, tenho muitas coisas para melhorar, e as coisas não estão como eu gostaria, mas não consigo fazer nada que mude de imediato, parece que tudo leva um tempo, que parece infinito. As vezes penso que eu irei viver este eterno presente, que nunca vai mudar e eu continuarei a sonhar.


É estranho quando idéias e sonhos se misturam...
Eu poderia reclamar de tudo, mas o meu problema está extamente com o Nada.


Key Words: solidão, sonhar, desassossego,

Ontem eu revi um filme muito bonito, que está na minha lista dos "the Best". Ensina-me a viver ( Harold and Maude). A relação com a morte e com o "aproveitar a vida" vai muito de encontro com os meus pensamentos recentes. Fica aqui uma dica de um filme maravilhoso! Depois que vocês assistirem irão entender um pouco melhor as minhas entrelinhas.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Esquadros

Todos os dias eu saio de casa ouvindo música.
Ando pela rua e me sinto em um video clipe, tenho a impressão que os carros e as pessoas se movem na mesma vibração da música que ouço.
Hora me sinto espectadora , hora atuante nesta cena, que aos meus olhos parece ser surreal, mas não há nada mais verdadeiro do que o movimentar dos ônibus, das pessoas, das núvens e do meu andar.
Muitas vezes eu me sinto meio especatodora da vida...
Até mesmo o meu próprio corpo parece não ser meu, estas mãos que escrevem parecem ser de alguem que desconheço, é como aqueles sonhos que vemos alguem que sabemos que somos nós , falamos e nos movimentamos, mas nossa visão é na terceira pessoa.

Este meu distanciar da realidade compartilhada me preocupa as vezes...

Lembrei de uma música, que se "enquadra' rs...
Hoje me identifico muito com as cores vintages, aquele ar de um sonho antigo, ou de uma lembrança me encanta...




Esquadros
Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela?
Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

segunda-feira, 28 de junho de 2010




Paro no inicio da noite e ascendo um cigarro e contemplo a Lua, grande espectadora de todos os meus tombos e acrobacias, me perco na fumaça do meu cigarro, que parece o insenso que eu ascendia todos os dias no meu singelo altar....

Um dia entre uma das minhas conversas entre eu e a Lua, prometi que iria estudar os mistérios do sagrado feminino, cumpri esta promessa por um bom tempo, mas entrei em uma correnteza que me afastou de tudo me tornando cética, quando enfim consegui sair eu estava completamente nua, sem acreditar em nenhuma manifestação de amor, divina ou carnal.

Hoje, depois de me refazer varias vezes, volto a corrente do rio central da minha vida. No meu barco volta a ter os antigos elementos de antes, porem diferentes e evoluidos. Engraçado como minha base é sempre a mesma...

Não posso ainda dizer que acredito que exista esta "coisa"que chamam de amor, mas enfim...
Basta acreditar que existe uma energia que faz as plantas crescerem e me faz respirar, por enquanto isto me basta.

A principal diferença é que antes eu tinha ajuda, hoje tudo depende somente de mim.
E de volta ao meu rio , tenho um pouco de madeira e cordas, mas tenho que buscar outras matérias primas que ainda faltam.
Por hora vou de ler muito, absorver o conhecimento dos quais farão diferença lá na frente. E que será minhas ferramentas.
Quero aprender mais sobre as histórias mitológicas, sobre música, sobre os mistérios e linguagens dos Deuses e dos espíritos, quero ler os grandes clássicos e aprender um pouco mais sobre finanças e café.

Incrivel como são grandes as formas da fumaça que sai do meu cigarro...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Girando ao contrário


Estou entediada, pesando coisas sujas, inútes e idiotas.


Não sei se é a copa, ver o Kaká, o Júlio César e outros jogadores gatões. Ou é a minha falta de afeto ou facilidade de desapego. A falta de dinheiro , ou é a bebedeira do ultimo final de semana. Talvez seja a minha falta de credibilidade nos relacionamentos (histórias repetitivas com os mesmos problemas, discussões, desilusões, descontentamentos, etc) prefiro evitar a fadiga e continuar solteira.

Por estes e outros motivos, lembrei de um autor que gosto muito, o escrachado Bukowski, que diz a verdade sem maquiagem.


Reuni algumas frases e trechos escritos por ele, que ilustram este meu giro as avessas...


Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.Charles Bukowski

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”Charles Bukowski


E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos.Talvez eu pudesse ser um ladrão de bancos. Alguma porra. Alguma coisa flamejante, com fogo. Você só tinha direito a uma tentativa. Por que ser um limpador de vidraças?Charles Bukowski

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Amigos





Encontro-me em uma fase um tanto diferente, estou meio "off" de mim mesma, mas quero mergulhar no mundo. Explorar, desfrutar, quero me intorpercer de tudo que ele oferece. Cansei de me perder no meu labirinto interior, quero agora fechar meus olhos e dar a mão ao meu amigo e me jogar! Não existe companhia melhor.
Sim... minhas amigas e amigos que são os irmãos que escolhi, ou como diz Vinícios "que reconheci", pois são eles que colorem as contas do meu caleidoscópio.


Amigos
Vinícius de Moraes

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor. Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.
E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos! A gente não faz amigos, reconhece-os. Com o meu carinho!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Hora da Faxina


Hora da faxina.
De abrir o guarda roupa, tirar as roupas que não servem, os sapatos velhos, lavar a roupa guardada.
Hora de abrir a janela, de tirar o pó, limpar o chão e janelas.
De jogar no lixo os papéis, as sacolas e embalagens.
Para mudar de lugar a cama, a comoda, a cadeira, a TV...
De limpar as gavetas, jogar fora os panfletos, os ingressos de cinema, os papeis de bombons, as dobraduras, as contas já pagas.

De se olhar no espelho, tirar a maquiagem, lavar o cabelo, esfoliar a pele, se depilar, hidratar, se ver nua...
E ainda nua, deitar e se sentir exalta, deixar que a mente vague por tudo e enfim dormir. Sentir frio no meio do sono, se enrolar no lençol e continuar dormindo.
Até acordar.

Eu não sei bem o que vem depois... só sei que depois de um tempo aparecerá novamente pó, papeis, ingressos de cinema, roupas usadas...

Eu sempre fui amante do frio, mas rogo por uma dia com sol.

TLT

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado


Eu não sei lidar muito bem com este tipo de tristeza...
Não é aquela tristeza dramática, revoltada, que dá vontade de chorar, gritar, sumir, de brigar...
Mas é uma tristeza fria, como a manhã de hoje, e vazia como uma tarde de domingo chuvosa... Tristeza que não dói...
Já me acostumei com estes altos e baixos, sei que sou forte o suficiente para passar por mais esta, parece que os episódios desta série nunca são inéditos.
...É como sentir um vento gelado com os pés descalços...
Eu não sei muito bem o que fazer além de esperar, de tentar mascarar com afazeres e literatura. Enfim, passar pela mesma coisa várias vezes nem pode ser considerado como algum tipo de "crescimento" ou "superação", talvez eu poderia ganhar até um atestado de burrice por me deixar cair nas mesmas armadilhas, mas acho que muitos tem uma pequena coleção como esta ... o que também não faz muita diferença.

Lembrei agora de um poema de um mangá (Shaman King), que vai de encontro ao que sinto hoje:


Poema - Osorezan Revoir

Para o Yoh:

Essa pessoa que aguarda por ti certamente não te deixará solitário. Ao menos, isso não. Isso não.

Essa pessoa que irá encontrar certamente não te fará sentir solidão. Ao menos, isso não. Isso não.

Para a Anna:

Mil origamis de grous negros dobrados. Pacientemente, essa pessoa carregará teu triste e pesado mistério noturno. Mesmo sem dobrar. Sem dobrar.

Mil grous negros de origami. Pacientemente, essa pessoa abraçará junto de ti a solidão diurna. Mesmo sem dobrar. Sem dobrar.


Para mim (Matamune):

Mil anos existi. Deste pesar finalmente me livrarei. Mesmo vazio. Mesmo vazio.
Meu espírito fragilizado. Desta pesada carcaça finalmente me libertarei. Mesmo vazio. Mesmo vazio.
Mesmo não sendo merecedor... É com prazer que vejo a possibilidade de desfalecer. Frio, talvez me considerem.

Mas nada posso fazer. Ao invés disso, eu aceitaria um sorriso.
Na rua, desamparado, entristecido. No caminho, aborrecido, sem vontade.
Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado. Monte Osore re-voir.

Mesmo que te mostres firme, amoleces. Aos sonhos ingênuos, te entregas. Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado. Monte Osore re-voir.

Entre os vivos ainda ando e a tristeza se mantém. Nos encontros de ano novo a alegria vai e vem. Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado. Monte Osore re-voir.

Essas palavras mal escritas finalmente chegam ao fim. O mundo que brilha lá no alto, onde será? Será a terra onde mora o santo Jizô? Amor é encontro, separação, um pedaço de pano surrado.


Monte Osore re-voir. Monte Osore au revoir...


Este é o poema escrito por Matamune para Yoh e Anna, na parte do mangá conhecida como "Osorezan Re-voir" (edições 37, 38, 39 e 40 na edição brasileira do mangá, lançado pela JBC).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Metade



Por que muito o que sinto, alguém já descreveu melhor do que eu poderia...


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.


Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Jogador de Pedras


Ola!
Passei um dia inteiro com um contador de histórias, foi maravilhoso, lembrei de histórias de que li quando criança, até imaginei púrpuria saindo do seu sopro em um certo momento. O nome dele é Giba Pedroza, um homem encantador, e um ótimo contador de histórias.

A oficina me inspirou tanto que criei este pequeno conto. Muito amador,não chego nem perto das histórias contadas por ele, mas esta é uma leitura minha, que faço não para agradar alguém, mas para materializar um pequeno devaneio.

O Jogador de Pedras

Em uma certa uma tarde, um jovem muito bonito estava jogando pedras em um lago. Ele tinha muita água dentro de si. Tanto que seus olhos não tinham uma cor definida, ficavam oscilando entre o verde e um azul acinzentado, cores muito parecidas com as águas do lago no qual ele estava distraido jogando pedras.
O jovem imerso em seus pensamentos disse em voz alta:
"Meus pensamento parecem estas ondas que eu faço no lago, sempre que eu acho que esta tudo bem, aparece uma onda não esperada e me tira a paz, isso é tão ruim... deve ser muito chato ser lago"
O lago ouvindo o jovem, responde com sua voz serena e sábia:
"Na verdade é muito bom ser lago, está certo que vira e mexe tem alguns jogadores de pedras que me cutucam insistentemente. Mas geralmente minha vida é trânquila, conheço muito bem meu terreno, sou massageado pela chuva de vez em quando, tenho meus amigos que me acompanham. Até que um dia eu me encho demais e canso de ser lago, daí então viro rio, e sigo uma vida mais emocionante".
O jovem olhou para baixo e deu um suspiro, sem saber o que dizer.
E o lago continuou:
"Um dia um senhor bem velho e paciênte, que também tinha olhos como os seus, me explicou sobre a mente humana, achei muito interessante! Vocês humanos deveriam compartilhar mais o que sabem! ... Imagnine que seus pensamentos são como eu, um lago, e quando você se sentir cheio demais, faça-os virar rio, vocês costumam chamar isso de sonhos".
Como o jovem tinha muita água dentro de si, ele entendeu muito bem a lição do lago e deixou de jogar pedras. Ele começou a nadar, estar em meio ás ondas é melhor do que provocá-las, este realmente é o limitar entre o pensar e o sonhar.
TLT

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desejo, vontade, eu quero


Desejo
O Perpétuo mais cruel na minha opinião...
Depois de tanto falar sobre emoções e sentimentos, fico tentada agora para falar sobre desejo.
Eu poderia dizer que seria uma linguagem do corpo. Talvez o correto seria, que o desejo controla o corpo conforme a SUA linguagem.
É estranho como este tipo de coisa ainda é um tabu para as mulheres (até para mim algumas vezes).
Nós normalmente temos que reprimir isso, pois se expressarmos esta vontade, muitos homens já a consideram como um convite, o que nem sempre é. E quando queremos realmente convidar, muitas vezes é mal interpretado.
Ê.. paradoxo!!
A linguagem é muito clara, fala-se por si só, é independente.
Nós que ficamos tentando controlá-la, disfarçá-la, reprimi-la. Por diversos bons motivos é claro, mas ela sempre vence.

E algo que não temos como negar, quando duas pessoas regidas pelo mesmo desejo se encontram, e não podem satisfazê-lo, entram em um estado de controvérsias. Entre palavras e pensamentos impera-se " Não, não devo". Mas os corpos traidores já estão se tocando, se aproximando e distanciando, conversando entre si, por mais sutil que pareça, eles simplesmente não obedecem.

Tudo isso é obra de Desejo... o mais cruel dos perpétuos....

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pense o que quiser...


imagem do tumblr tie me up


Por que existe coisas que não dá para serem descritas...

segunda-feira, 17 de maio de 2010


Quero postar para deixar algo menos melancólico, dizer que já estou em um novo giro.
Ser caleidoscópica é um tanto estranho, pois todas as mudanças e nuances são vistos apenas aos meus olhos.
Hoje minhas cores estão mais vibrandes, porem meu giro é mais lento, mais equilibrado e consciente.
Tudo está borrado, não há nada definido, não sei dizer o que sinto e para onde estou caminhando, mas estou segura.
Tenho certos precentimentos, sinto que irei perder alguma coisa importante, porem algo novo se aproxima.
Lembro de minha fase mística, eu era capaz de identificar melhor estes tipos de precentimentos e conseguia entender a linguagem de Gaia...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Minhas mãos e pés estão gelados
Tem outras partes do meu corpo que também sinto friu
Sinto um tremor interno que me lembra febre, mas não é
Meu coração oco se contrai, da mesma forma de quando esticamos um elástico e soltamos
Os sentimentos me atigem como o paradoxo dos magos ( sinto faltas destes jogos, era uma ótima valvula de escape... Daquela época, é a unica coisa que eu realmente sinto falta).
Mas o paradoxo é uma ótima definição do que acontece comigo, um grande feito ou momento é acompanhado por um preço a ser pago, uma consequência. Como dizem é para manter o equilibrio.
Equilibrio este que luto para manter todos os dias
Se manter equilibrada, neutra, consciênte e conivente das minhas próprias ações.
Acho que é por isso que eu sinto tanto frio.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Little person


Venho esperando para postar esta música, que é tão especial para mim...

Chama-se Little Person do Jon Brion, esta música é trilha sonora do filme Sinédoque Nova Yorque do Charlie Kaufman. Um ótimo filme por sinal, asssistam não vão se arrepender!! ... é do Kaufman... acho que isso já explica o tipo de filme.

Bem, eu que praticamente me apossei Kruczynski, da Clementine do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças que também tem a trilha sonora do Jon Brion e é dirigido pelo kaufman. Nem preciso dizer o quanto eu Adoro tudo isso.

Esta música desperta algo sublime em minha mente, eu fecho os olhos e imagino esta música sendo tocada em um jukebox, em um bar com meia luz no final de uma noite, dançando abraçadinho, lentamente...

E as palavras em um sussuro ao pé do ouvido...

I'm just a little person,
One person in a sea
Of many little people
Who are not aware of me.

I do my little job
And live my little life,
Eat my little meals,
Miss my little kid and wife
And somewhere, maybe someday,
Maybe somewhere far away,
I'll find a second little person
who will look at me and say:

"I know you.
You're the one I've waited for.
Let's have some fun.

" Life is precious every minute,
and more precious with you in it,
so let's have some fun

We'll take a road trip way out west.
You're the one I like the best.
I'm glad I've found you,
Like being around you
You're the one I like the best.

Somewhere, maybe someday,
Maybe somewhere far away,
I'll meet a second little person
And we'll go out and play.


Não consegui fazer upload do video mas segue o link.
enjoy ^^
http://www.youtube.com/watch?v=IA_ubhYgjAc

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Era uma vez...


Ola!
Hoje quero compartilhar uma história...

Uma história verídica, mas surreal, tanto que me sinto tentada a começá-la com "Era um vez"...

A história é de uma garota morena de olhos castanhos, que teve uma paixão a primeira vista por volta dos seus 15 anos, vale enfatizar que somente ela se apaixonou. E como quase todas as histórias ela não foi notada, garotas morenas de olhos castanhos não chamam atenção dos garotos, ainda mais se forem um pouco gordinhas e tímidas, normalmente a relação deste tipo de menina com os garotos é de apenas "melhor amiga".
O Garoto era desengonçado, de cabelos compridos, tinha seus 18 anos.
Ela somente contemplou seu amado por alguns anos, como toda menina apaixonada ela compartilhava todos os "supostos encontros" com suas amigas, apesar de nunca ter coragem de encará-lo.
Um belo dia, suas amigas ligaram para o garoto para dizer que existia uma menina morena de olhos castanhos que estava "afim dele", ele ficou muito surpreso com historia, e pediu para falar com a menina para ter certeza que não era uma brincadeira de mal gosto. Afinal, ela nunca o olhou nos olhos antes.
Eu poderia fazer um parênteses e contar as preliminares da ligação, porem me contento em dizer que houve diversas discussões, onde por fim a força e o número de amigas conseguiu vencer. A garota com o coração na mão, sabia que no fundo era o que ela também queria. ... Realmente a amizade é o maior presente de Deus...
Por fim, eles conversaram e se encontraram, tiveram um dia de romance no parque, em uma tarde ensolarada. Ele com o uniforme da escola, e ela com uma calça com gliter.
Porem o romance não passou de um dia, pois houve uma mistura de desencontro de interesses, orgulho e timidez. E os dois se tornaram ótimos "conhecidos" , pelo menos aparentemente.
A cada encontro que o acaso providenciava, era um momento peculiar. Saiam de suas bocas apenas um "ola, como vai?" mas seus olhos se comunicavam de uma forma diferente, brilhavam e diziam coisas que não eram verbalizadas.
Assim... passaram-se os anos, ambos cresceram, amadureceram, tiveram outros romances, mas os encontros ocasionais eram sempre iguais.
Durante estes anos, foi-se acumulando vontades e coisas a serem ditas, porem estes só foram compartilhados pelos dois através do olhar.

Conto a vocês esta história, pois quantas mulheres não devem ter histórias mal acabadas como esta. E quando se depara com o coração vazio, sente a reverberação dessas histórias?
Parece que nosso coração é como uma casa, quando se encontra vazia vê-se ainda nas paredes as marcas dos móveis e dos quadros que estiveram ali por algum tempo. Dá a impressão que a casa é maior e uma sensação de solidão, que somente quem já viu a própria casa desta maneira sabe o que eu estou falando.

Esta história da garota e do rapaz, ainda não terminou, eles continuam tenho conversas múltiplas entre o “oi, como vai?”. A diferença que ambos desistiram dos romances... ou simplesmente de arriscar.
Algumas vezes tenho vontade de dizer para esta, agora mulher de olhos castanhos, "diga a ele tudo que sente, ele também amadureceu vocês podem ter um novo romance".
Porem , os desencontro de interesses, o orgulho e a timidez, são estéreos e imortais e se transformam em correntes.
Eu gostaria de terminar esta história com um " E viveram felizes para sempre" mas como eu disse inicialmente, trata-se de uma história real, e nas histórias reais, nem a morte consegue findar.
TLT

sexta-feira, 23 de abril de 2010


Depois de girar por ai, fiquei com vontade de escrever...

Mas estou girando tão rápido que meus pensamentos e sentimentos estão desconexos demais. Em um momento eu escrevo que estou feliz, quando leio parece que foi um estranho que escreveu.
"Como EU posso ter a audácia de dizer que estou feliz?" penso eu no momento seguinte, depois me questiono "Mas por que não?"
Cada minuto tem sua particularidade, e depois vem as controvérsias.
Parece que eu vivo o Tudo e Nada ao mesmo tempo. As vezes me parece que é a mesma coisa. Quando giro vejo o Tudo, quando paro tenho o Nada.
TLT

Por fim cito as palavras de minha heronia como prece:
...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Clarice Lispector

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Os 10 desejos de Clarice


E a Morte pergunta para Clarice: "Se eu te levasse amanhã, terias pesar do alguma coisa? o que você gostaria de ter feito e não fez nesta vida?
Clarice sabia a resposta na ponta da língua, mas fingiu pensar um pouquinho para fazer um pouco de charme e mostrar um pouco de seriedade:

Bem... Existe 10 coisas:
- Eu queria ter tido um filho;
- Eu queria ter visto a aurora boreal;
- Eu queria ter sentido o amor através do sexo;
- Eu queria ter tido um colo e o abraço protetor de um homem que me ame;
- Eu queria morrer sem as milhares de coisas que eu tenho para falar;
- Eu queria ter tido coragem de falar todas estas coisas;
- Eu queria me sentir realmente bonita, pelo menos uma vez;
- Eu queria ter tido mais fé, e conhecido mais os mistérios dos Deuses e dos anjos;
- Eu queria ter aprendido mais sobre metafísica, astronomia, mitologia e teologia;
- Eu queria realizar alguns sonhos da minha familia, a que nasci e a que escolhi.
Se nesta vida não der tempo de fazer todas estas coisas... tudo bem, fica a próxima...

A morte olhou para aquele ser, que não era mulher, não era adolescente e nem criança. Era feminina e tinha seus vinte e tantos anos, e sentiu pena. Por fim disse:

- Minha querida, precisará renascer muitas vezes para fazer estas coisas como mulher. Mas não se iluda em pensar que renascer em outras formas ou gênero conseguirá com mais facilidade, pois apenas sendo mulher poderá desfrutar plenamente e somente sendo mulher sentirá estas necessidades, assim é a Vida.

Clarice suspirou e pensativa disse:

- Tudo bem...Eu não disse que queria fazer todas estas coisas nesta vida.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Romper um acordo. Aceitar um perdão. E fazer uma aposta


Bem... eu venho ensaiando para postar.
Na verdade eu tenho escrito bastante, mas os textos fazem parte do meu caleidoscópio particular, que eu ainda os quero só para mim...

Romper um acordo
Aceitar um perdão
E fazer uma aposta.

Neste dias, vasculhei minha gaveta e achei uma caixinha de coisas mágicas (da minha fase bruxa).
No Topo tinha um papel, escrito estas três frases.
Era o segredo de como falar com o nosso anjo, segundo um trecho de um livro do Paulo Coelho.
Na época aderi estas frases, como o segredo para minha libertação.
E não foi por um acaso que eu mexi naquela caixinha esquecida. Estou em uma nova fase de libertação, e quero novamente fazer milagres.

Algumas postagem anteriores eu comentei que meus projetos estavam saindo do papel. Hoje estão se tornando realidade, o medo se transformou em coragem e os sonhos em idéias.

E me perdoe os que estão ficando para trás, eu avisei que esta hora iria chegar.
Pois já fiz minha aposta!

terça-feira, 30 de março de 2010




Por que para ser feliz é preciso ter em vez de ser?
Conquistar em vez de descobrir?
Usamos "por que?" para o passado e "para que?" para o futuro...
A resposta do "por que?" já não me aflinge. Foi porque teve que ser e pronto, houve ganhos e perdas e fim.
Mas o "para que?" ainda me atormenta, me consome e me cansa....
E não pense que estou sendo pessimista, neste momento sou apenas eu.
E o pior de tudo é o tédio existencial. =/

sábado, 20 de março de 2010

Eu e meu Pato Terapeuta


Seguindo as orientações de meu querido amigo Pato (versão terapeuta) estou alterando minhas energias, deixando-as positivas, e principalmente tornando otimista os meus pensamentos, deixar de ser pessimista é muito estranho, brigo comigo mesma o tempo todo.

Mas não é que esta dando certo! mudei minha frequência a dois dias, e do nada começaram a surgir alguns seres ....

Parece que eles sentiram esta nova frequência, mas sei que ainda tenho que aumentar muito pq eles são.... como posso dizer.... uma espécie de insetos que se aproximam quando veem um pouco de luz. Eles estão na escuridão, e quando veem um pouco de luz colocam suas mascaras e partem para o ataque.
Mas eu estou prevenida, sei que por traz da mascara há um ferrão que só quer o meu sangue.( é... eu já me deixei enganar algumas vezes quando estava fraca... mas enfim)

Para quem estava na escuridão total, este já é um avançado, pelo menos sei que algo já mudou.

Na verdade já me sinto um pouco maior.

Tenhos outras tarefas que meu Pato terapeuta me deu... coisas complexas para se pensar, postarei por aqui meu avanço.

P.s sobre a foto> a diferença que o meu querido Pato é prodígio, faz tudo muito bem ^^

quinta-feira, 4 de março de 2010

Este trecho é um dos meus livros preferidos, eu já o li umas 10 vezes, sempre que eu o leio aprendo algo diferente.

Quebre este copo
(trecho de “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”)

O vinho tornava as coisas mais fáceis para ele. E para mim.

– Por que você parou de repente? Por que não quer falar de Deus, da Virgem, do mundo espiritual?

– Quero falar de outro tipo de amor – insistiu. – Aquele que um homem e uma mulher compartilham, e em que também se manifestam os milagres.

Segurei suas mãos. Ele podia conhecer os grandes mistérios da Deusa – mas de amor sabia tanto quanto eu. Mesmo que tivesse viajado tanto.

E teria que pagar um preço: a iniciativa. Porque a mulher paga o preço mais alto: a entrega.

Ficamos de mãos dadas por um longo tempo. Lia em seus olhos os medos ancestrais que o verdadeiro amor coloca como provas a serem vencidas. Li a lembrança da rejeição da noite anterior, o longo tempo que passamos separados, os anos no mosteiro em busca de um mundo onde estas coisas não aconteciam.

Lia em seus olhos as milhares de vezes em que havia imaginado este momento, os cenários que construíra ao nosso redor, o cabelo que eu devia estar usando e a cor da minha roupa. Eu queria dizer “sim”, que ele seria bem-vindo, que o meu coração havia vencido a batalha. Queria dizer o quanto o amava, o quanto o desejava naquele momento.

Mas continuei em silêncio. Assisti, como se fosse um sonho, à sua luta interior. Vi que tinha diante dele o meu “não”, o medo de me perder, as palavras duras que escutou em momentos semelhantes – porque todos passamos por isto, e acumulamos cicatrizes.

Seus olhos começaram a brilhar. Sabia que estava vencendo todas aquelas barreiras.



Então soltei uma das mãos, peguei um copo e coloquei na beirada da mesa.

– Vai cair – disse ele.

– Exato. Quero que você o derrube.

– Quebrar um copo?

Sim, quebrar um copo. Um gesto aparentemente simples, mas que envolvia pavores que nunca chegaremos a compreender direito. O que há de errado em quebrar um copo barato – quando todos nós já fizemos isto sem querer alguma vez na vida?

– Quebrar um copo? – repetiu ele. – Por quê?

– Posso dar algumas explicações – respondi. – Mas, na verdade, é apenas por quebrar.

– Por você?

– Claro que não.

Ele olhava o copo de vidro na beira da mesa – preocupado com que caísse.

“É um rito de passagem, como você mesmo fala”, tive vontade de dizer. “É o proibido. Copos não se quebram de propósito. Quando entramos em restaurantes ou em nossas casas, tomamos cuidado para que os copos não fiquem na beira da mesa. Nosso universo exige que tomemos cuidado para que os copos não caiam no chão.

Entretanto, continuei pensando, quando os quebramos sem querer, vemos que não era tão grave assim. O garçom diz “não tem importância”, e nunca na vida vi um copo quebrado ser incluído na conta de um restaurante. Quebrar copos faz parte da vida e não causamos qualquer dano a nós, ao restaurante, ou ao próximo.

Dei um esbarrão na mesa. O copo balançou, mas não caiu.

– Cuidado! – disse ele, instintivamente.

– Quebre o copo – eu insisti.

Quebre o copo, pensava comigo mesma, porque é um gesto simbólico. Procure entender que eu quebrei dentro de mim coisas muito mais importantes que um copo, e estou feliz por isto. Olhe para a sua própria luta interior e quebre este copo.

Porque nossos pais nos ensinaram a tomar cuidado com os copos, e com os corpos. Ensinaram que as paixões de infância são impossíveis, que não devemos afastar homens do sacerdócio, que as pessoas não fazem milagres, e que ninguém sai para uma viagem sem saber aonde vai.

Quebre este copo, por favor – e nos liberte de todos estes conceitos malditos, esta mania que se tem de explicar tudo e só fazer aquilo que os outros aprovam.

– Quebre este copo – pedi mais uma vez.

Ele fixou seus olhos nos meus. Depois, devagar, deslizou sua mão pelo tampo da mesa, até tocá-lo. Num rápido movimento, empurrou-o para o chão.



O barulho do vidro quebrado chamou a atenção de todos. Em vez de disfarçar o gesto com algum pedido de desculpas, ele me olhava sorrindo – e eu sorria de volta.

– Não tem importância – gritou o rapaz que atendia as mesas.

Mas ele não escutou. Havia se levantado, me agarrado pelos cabelos, e me beijava.

Eu também o agarrei nos cabelos, abracei-o com toda força, mordi seus lábios, senti sua língua se movendo dentro de minha boca. Era um beijo que havia esperado muito – que havia nascido junto dos rios de nossa infância, quando ainda não compreendíamos o significado do amor. Um beijo que ficou suspenso no ar quando crescemos, que viajou pelo mundo através da lembrança de uma medalha, que ficou escondido atrás de pilhas de livros de estudos para um emprego público. Um beijo que se perdeu tantas vezes e que agora tinha sido encontrado. Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis.

Eu o beijei com força. As poucas pessoas que estavam naquele bar devem ter olhado, e pensavam estar vendo apenas um beijo. Não sabiam que naquele minuto de beijo estava o resumo de minha vida, da vida dele, da vida de qualquer pessoa que espera, sonha e busca o seu caminho debaixo do sol.

Naquele minuto de beijo estavam todos os momentos de alegria que vivi.

É dificil explicar certas sutilezas do amor, de um beijo, um olhar ou até mesmo de um toque.
Só entende quem sente ou já sentiu, quem já "quebrou o copo"
Já quebrei muitas coisas dentro de mim e ainda tenho muitos cacos.
Eu queria explicar e provar que este sentimento tem o poder de colorir, e é como uma fonte nova de energia e luz.
Mas quem já conheceu o outro lado deste sentimento não acredita mais, vira apenas um conto de fadas.
Eu já conheci os dois lados, luz e escuridão. Hoje estou na realidade paralela entres eles, o Vazio. Eu deveria me voltar a escuridão e viver em segurança.
Mas não sei o porquê, ainda corro em direção a luz.(que garota tola eu sou).