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"Eu sou à esquerda de quem entra. E estremece em mim o mundo. (...) Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro. Sou um coração batendo no mundo." (Clarice Lispector)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Marina Colasanti - parte 1



Vou postar alguns poemas de uma escritora que estou descobrindo e me apaixonando.

Marina Colasanti

Sexta-feira à noite

Os homens acariciam o clitóris das esposas

Com dedos molhados de saliva.

O mesmo gesto com que todos os dias

Contam dinheiro, papéis, documentos

E folheiam nas revistas A vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite

Os homens penetram suas esposas

Com tédio e pénis.

O mesmo tédio com que todos os dias

Enfiam o carro na garagem

O dedo no nariz

E metem a mão no bolso

Para coçar o saco.

Sexta-feira à noite

Os homens ressonam de borco

Enquanto as mulheres no escuro

Encaram seu destino

E sonham com o príncipe encantado.

4 comentários:

  1. é que numa relação de poder repressora e egoista,não existe outro modo de manusear os dedos violadores, os pênis-têdio. há que se mudar esta relação. E vc media a mudança mediando Colasanti.

    continue a constante subversão

    empatia e até!

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  2. "O ego frusta as razões inexistente, deste sexo macho e rude"
    "Mulheres ousam a serem instrumento, quando somente sonham em serem tocadas como uma seda"!Fantástico!

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  3. ...é, este texto me revolta, tenho repulsa deste sexo tão asqueroso, porém preciso dele para me tirar a virgindade e me dar de presente um filho...

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  4. Este é, realmente, um poema de deixar qualquer um estático.
    Adorei O.O

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